Tente lembrar do preço da última marca que te marcou. Difícil, não é?

Ilustração representando: Ninguém lembra do que você faz. Lembra da história que você conta.

Agora tente lembrar da história dela. Do que ela defende. Da sensação que ela te deixa. Essa vem fácil.

Isso não é coincidência. É como a mente humana funciona. E é exatamente por isso que a maioria das marcas é esquecida: elas passam a vida listando o que fazem, quando deveriam contar a história que fazem sentir.

A mente descarta dados. Guarda histórias.

O cérebro humano é péssimo em guardar informação solta. Números, características, listas de serviços, tudo isso evapora em minutos.

Mas história ele guarda. Guarda há milênios, antes de existir escrita, quando o conhecimento passava de geração em geração ao redor do fogo. Somos feitos para lembrar de narrativas, não de especificações.

Quando você descreve o que faz em tópicos, você entrega ao cliente algo que a mente dele foi projetada para esquecer. Quando você conta uma história, você entrega algo que ela foi projetada para guardar.

Storytelling de marca não é enfeite. É estratégia de memória.

Muita gente acha que storytelling é contar historinha bonita para emocionar. Reduzir a isso é perder o ponto.

Storytelling de marca é o uso deliberado da narrativa para criar memória e significado na mente das pessoas. É transformar o que você faz em algo que a pessoa sente, se identifica e lembra. É a diferença entre ser mais um fornecedor e ser uma marca que grudou.

As pessoas decidem pela emoção e justificam pela razão. A história entra pela emoção, abre a porta, e só então os argumentos racionais fazem efeito. Sem a história, os argumentos batem numa porta fechada.

Por que a maioria erra ao contar a própria história

O erro mais comum é colocar a própria marca como herói. “Somos líderes. Temos anos de experiência. Fazemos o melhor.” Ninguém se emociona com o herói dos outros.

Carlos Teles palestrando sobre branding e posicionamento
Carlos Teles em palestra sobre branding e posicionamento.

A história que conecta tem o cliente como protagonista, e a sua marca como o guia que ajuda ele a vencer. O cliente precisa se ver na narrativa. Precisa reconhecer o próprio problema, sentir a própria dor, enxergar o próprio desejo. É nele que a história tem que falar, não em você.

Quando o cliente se vê na sua história, ele para de comparar preço. Ele quer fazer parte.

Os quatro elementos de uma história que gruda

Você não precisa de um enredo complexo. Precisa de quatro peças, bem encaixadas.

Um protagonista, que é o cliente, não você. Um conflito, que é a dor real que tira o sono dele. Uma virada, que é o método ou a visão que você traz. E uma transformação, que é o lugar melhor onde ele chega com a sua ajuda.

Simples assim. E poderoso justamente por ser simples. História não precisa ser dramática. Precisa ser verdadeira.

A sua história já existe. Você só não a contou ainda.

Você não precisa inventar nada. Precisa lembrar por que começou. Que incômodo te fez seguir esse caminho. O que você enxerga que a concorrência ignora. Que transformação você já viu acontecer nos seus clientes.

As respostas para isso são o coração da sua narrativa. A partir delas, é repetir a mesma história em tudo: no site, na bio, nas propostas, nas conversas. Consistência é o que fixa a história na memória, do mesmo jeito que o posicionamento fixa o seu lugar na mente do cliente.

Perguntas frequentes

Preciso de uma história dramática para usar storytelling?
Não. Você precisa de verdade, não de drama. Uma história simples e honesta, bem contada, conecta mais do que um enredo exagerado.

Storytelling serve para marca pessoal e para empresa?
Serve para as duas. Na marca pessoal, a história é a sua trajetória e visão. Na empresa, é o propósito e a transformação que ela entrega. Vale tanto para personal branding quanto para negócios.

Onde eu uso a história da minha marca?
Em todos os pontos de contato: página sobre, bio das redes, apresentações, propostas e conteúdo. Quanto mais repetida com consistência, mais memorável ela fica.

Então fica a pergunta: quando alguém sai de uma conversa com você, ele leva embora uma lista de serviços, ou uma história? Porque é a história que ele vai contar para outra pessoa. E é assim que uma marca memorável nasce.

Carlos Teles, estrategista de branding

Carlos Teles
Estrategista de branding e palestrante. Publicitário de formação com mais de 22 anos de mercado, ex-CEO das empresas de Junior e Keila Neves, passou pelo Grupo Primo (Staage) e pela PLX (Pablo Marçal), com mais de 50 lançamentos e mais de 100 marcas atendidas. Escreve sobre branding, posicionamento e percepção de valor.

Sobre · Instagram · YouTube · Site oficial